Archive for August, 2008

Como tudo aconteceu

Eu estava calmamente trabalhando quando, às 14h, a Assistente Social (AS) ligou do Fórum. Achei que ela queria falar sobre o Cadastro Único, mas ela queria saber se tínhamos interesse em ir ao Fórum ver o processo de um menino de menos de um mês.

“Menos de um ano!?â€, perguntei espantada.

“Não, menos de um mês.â€

Como nosso perfil era de 2 crianças de até 6 anos de idade, achei estranho. Mas, como aceitávamos doenças tratáveis, imaginei que o bebê poderia ter algum problema e ter sido rejeitado por outras pessoas na fila.

“Ele já fez todos os testes de saúde, inclusive neurológicos, e é saudávelâ€, a AS dissse.

Saí correndo do trabalho — meu chefe pensou que eu estava com dor de barriga…e estava! –, peguei o Paulo em casa e lá fomos para o Fórum. Lemos atentamente todo o processo do bebê, e a AS nos informou que um motoboy estava a caminho do Fórum com uma foto.

“Queremos ir no abrigoâ€, dissemos, e a AS riu espantada: “Vocês não querem nem ver a foto?†Não era necessário. Naquele momento, já sabíamos que era o nosso filho.

Enquanto a AS preparava a autorização de visita e desabrigamento, a foto chegou e ficamos ainda mais apaixonados. O bebê era, além de tudo, lindo.

Deixamos o carro em casa e pegamos um táxi para o abrigo. Primeiro porque somos perdidos em SP, nosso GPS estava sem bateria e o abrigo era num quebradão qualquer que desconhecíamos. Segundo porque não havia a menor possibilidade de nenhum dos dois dirigir, tamanho era nosso nervoso.

Chegamos lá e esperamos que trouxessem o bebê, enquanto conversávamos com as funcionárias uniformizadas. O abrigo era limpo, pintadinho, bem cuidado, e as funcionárias eram todas simpáticas. Tudo parecia um sonho — e era!

Nosso filho chegou, embrulhado numa manta peludinha, e era tão tão tão pequenininho que tomamos um susto. Um susto bom, claro, como todos naquele dia. As funcionárias saíram da sala para nos deixar à vontade para “conversarâ€, mas não era preciso conversar sobre nada. Só queríamos saber o que precisávamos fazer para levar o nosso filho pra casa, imediatamente.

Ligamos para a AS, que nos deu instruções, e em menos de meia hora saímos do abrigo com o Davi, nosso filho, com a roupa do corpo. Em casa, nada esperava por ele além do nosso amor. Nenhum enxoval, nenhum berço, mamadeira, fraldas, nada nada nada. E nada disso importava.

Às 14h recebemos a ligação da AS. Às 17h estávamos em casa com o Davi. Em três horas, passamos por nove meses de gravidez, trabalho de parto e alta.

Depois de uma correria para comprar mamadeira, fraldas e leite, recebemos a visita da Nacráudia — e do Guilherme, dentro dela –, com roupinhas e presentes pro Davi, do amiguinho que ainda nem nasceu. Outras amigas mães me davam dicas pelo telefone do que eu precisaria comprar no dia seguinte.

O tempo todo, olhávamos para ele e não acreditávamos que era nosso (essa sensação, aliás, durou vários dias…ainda tem horas que volta!). Na sua primeira noite, Davi dormiu num futton, e eu sentada do lado dele, olhando, incrédula, perdidamente apaixonada, eternamente agradecida a Deus, ao Universo, a tudo o que nos colocou juntos nessa vida.

E no momento em que o meu filho segurou minha mão pela primeira vez, toda a minha fé, a fé de uma vida toda, fez sentido.

Posted on August 28th, 2008 by Paula Abreu  |  66 Comments »

Nosso filho chegou!!!

Volto para dar mais detalhes, mas nesta terça-feira chegou nosso filho, Davi, com apenas 20 dias de vida! Ele é lindo e tranquilo e estamos MUITO MUITO MUITO felizes!

Agreadecemos a todos pela torcida. E, às mamães que ainda estão esperando seus filhos, acreditem: cada segundo da espera e cada dificuldade vale à pena!

Posted on August 15th, 2008 by Paula Abreu  |  21 Comments »

Enfim, habilitados!

Amigos queridos, reais e virtuais: estamos habilitados!

Depois da nossa entrevista, em 10 de junho, a psicóloga e assistente social quase nos mataram de ansiedade e demoraram 45 dias para preparar o laudo técnico. E vocês lembram que, no dia da entrevista, nos disseram que o laudo, o parecer do MP E a sentença do juiz demorariam entre 45 e 60 dias.

Entramos em semi-pânico com a demora do laudo. Meu estagiário ia semanalmente à VIJI e nada de novidades. Liguei uma primeira vez e tive uma longa conversa com a psicóloga (essa vale um outro post, inclusive, pelo teor das informações que recebi…), depois liguei de novo e conversei com uma assistente social aleatória, depois numa terceira ligação conversei com a nossa assistente social.

Depois de muito encher o saco da equipe técnica — e aprender que encher o saco e se fazer presente é MUITO importante no processo de habilitação — nosso laudo ficou pronto. Mais uma vez, o estagiário foi à VIJI e conversou com a Promotora, que avisou que já tinha lido tudo e ia dar parecer favorável. Mais uma vitória, agora só faltava a sentença.

Como demos muita sorte em pegar um juiz maravilhoso, o Dr. Iassin (vindo de Santo André, o último caso dele por lá foi o do Celso Daniel, vejam só que mudança de ares!), nossa sentença saiu em poucos dias: habilitados!

Assim, no dia 28 de julho de 2008, passamos a integrar a famigerada “fila” de habilitados à adoção, o que significa que agora basta esperar essa gravidez que não tem prazo certo para acabar.

Posted on August 11th, 2008 by Paula Abreu  |  9 Comments »


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