A opressão do Estado

Hoje fomos ao Fórum. Algumas pessoas que nos atenderam foram gentis. Outras, nem tanto. O Estado é opressor. Sentado na salinha, evoquei todos os deuses da liberdade.

Entendo que a burocracia é necessária. Mas há um momento em que o Estado se personifica. E, por alguma razão, a personificação do Estado me parece sempre monstruosa.

Haverá outras visitas. Só espero que o Leviatã não me engula.

Paulo Polzonoff Jr.

Posted on January 11th, 2008 by admin  |  6 Comments »

Medo, pavor

Se eu tenho medo de ser pai? De jeito nenhum. A única coisa que me mete medo, pavor mesmo, nesta história de adoção, é a burocracia. Embora enxergue um propósito na papelada toda (afinal, “eles precisam saber quem a gente é”, como bem argumentou a Paula), a pilha de documentos e atestados me fazem pensar em O Processo, de Kafka. Mais do que uma poluição literária, esta lembrança é reflexo de um pavor natural da burocracia, da força que o Estado, o Leviatã, tem de se intrometer em nossas vidas.

De qualquer forma, fica aqui a lista dos documentos necessários para se começar o processo de adoação:

- Requerimento inicial (fornecido pelo Juizado da Infância e da Juventude ou fórum);
- Certidão de casamento ou prova de união estável dos candidatos, conforme sejam casados ou companheiros;
- Certidão de nascimento para os solteiros (mesmo os incluídos na condição final do item anterior);
- Comprovante de residência;
- Comprovante de rendimentos;
- Atestado médico de sanidade física e mental por médico particular ou da rede oficial de saúde;
- Carteira de identidade;
- CPF (Cadastro Pessoa Física) e Certidão negativa dos distribuidores cíveis e criminais, do foro de seu domicílio.
- Outros documentos, a critério do interessado, comprobatórios de sua aptidão para adotar.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 9th, 2008 by admin  |  4 Comments »

A reação dos outros

Quando você torna pública sua opção pela adoção, é incrível como todo mundo resolve dar pitaco. E, quase sempre, o conselho é desencorajador. Há algum tempo estamos falando às pessoas que pretendemos adotar uma criança. Eu já perdi a conta de quantas vezes escutei histórias horríveis sobre crianças adotadas que se tornaram verdadeiros monstros.

Curioso: isto não acontece quando uma mulher está grávida. Ela exibe o barrigão e todos têm ótimos prognósticos sobre tudo, do parto à faculdade do ser que está por vir. Mas, como se sabe, a realidade não é esta.

Seria espírito de porco de minha parte, mas bem que dá vontade de retrucar às pessoas que têm sempre uma história má na mão todas as agruras do parto. A dor. A angústia do homem. Os fluídos e melecas. A deformação do corpo.

Não que eu ache tudo isto ruim. Não. Ter um filho faz parte da vida. E todas as coisas ruins da gravidez se tornam imediatamente coisas boas quando se pensa que, no futuro, há um ser novo em folha: seu filho ou filha.

As pessoas deveriam entender que, em se tratando de adoção, é a mesmíssima coisa. Haverá problemas, claro. Tudo bem, é possível que não haja melecas. Por outro lado, há toda uma cansativa burocracia. Mesmo assim, os percalços são bem menos difíceis quando se pensa no que nos aguarda no fim do túnel: um filho ou filha.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 7th, 2008 by Paulo Polzonoff Jr.  |  7 Comments »


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