A Justiça decretou na segunda-feira (9) a falência da confecção Zoomp. A decisão é de uma juÃza da 5ª Vara CÃvel da Comarca de Barueri, na Grande São Paulo, onde a empresa é sediada, como informa documento fixado na entrada da grife. A fábrica da confecção localizada na Avenida Tucunaré foi lacrada por oficiais de Justiça ainda na segunda. (…)
Os problemas financeiros na grife conhecida pela logomarca de um raio amarelo levaram ao cancelamento do desfile em junho do ano passado na São Paulo Fashion Week. Na época, a empresa divulgou uma nota informando que “em abril de 2008, a Zoomp S/A iniciou um profundo plano de reestruturação organizacional que tem por objetivo básico sanear financeiramente a empresaâ€.
No ano passado, algumas lojas da Zoomp que ocupavam pontos importantes foram fechadas, a exemplo dos shoppings Iguatemi e Morumbi, em São Paulo, e BH, na capital mineira.
A crise financeira foi agravada com a venda da marca para a holding I’M, em julho de 2006, com a promessa de injeção de meio bilhão de dólares e a formação de um novo conglomerado. As grifes Alexandre Herchcovitch e Fause Haten, que faziam parte do grupo, se desligaram.
Leia o artigo completo no Globo.com.
O advogado Roberto Rached Jorge disse nesta terça-feira (10) que irá recorrer da decisão que decretou a falência da confecção Zoomp. A fábrica da empresa em Barueri, na Grande São Paulo, foi lacrada pela Justiça. O recurso deve ser apresentado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) até quarta-feira (11), segundo o advogado.
Leia mais em Advogado diz que vai recorrer de decisão que decretou falência da Zoomp
Pelo correr da carruagem, a edição de Janeiro/2009 da SPFW não vai ter a euforia das edições anteriores, em razão dos impactos da crise financeira mundial…
O Relatório Reservado informa que o Pactual Capital Partners (PCP) está revendo as condições do acordo para a compra de 70% da grife de Alexandre Herchcovitch, anunciada em agosto deste ano. Com a mudança de estação na economia internacional, o investimento de quase US$ 100 milhões ficou caro demais.
O fundo Global Capital procura um comprador para o que ainda resta da Zoomp. O private equity
assumiu a gestão da grife, que vive grave crise financeira desde que foi adquirida pelos empresários Conrado Will e Enzo Monzani.
Esqueça as pantalonas, as maxibolsas ou os babados. Para entender de moda brasileira agora é preciso saber o que é um fundo de investimento, uma gestora de marcas ou uma holding operacional.
A nova tendência é difÃcil de usar. Chegou com estardalhaço na temporada passada e se estende aos trancos e barrancos por esta nova edição do São Paulo Fashion Week.
A “novidade” já deu dor e cabeça para estilistas de renome como Alexandre Herchcovitch e Fause Haten, além da grife Zoomp, cooptados pela gestora de grifes Identidade Moda (I’M). Os dois primeiros se desligaram da nova empresa, e a Zoomp acabou de fora do SPFW — tudo por causa de problemas financeiros.
Enquanto Herchcovitch conseguiu desfazer o negócio, Fause Haten perdeu a grife que leva seu nome inteiro, relembrando o caso Marcelo Sommer, que vendeu sua grife Sommer ao grupo familiar AMC Têxtil em 2004 e acabou afastado por divergências de criação.
“Eles achavam que iam ganhar milhões, mas na verdade iam gastar milhões. Acho que foi ingenuidade”, disse a editora de moda Regina Guerreiro sobre os empresários e estilistas do caso I’M. (…)
Para Regina Guerreiro, a “tendência” precisa, para dar certo, de grupos muito fortes financeiramente para um investimento eficaz e de um produto mais caprichado.
“Não é apostando na moda que a gente está fazendo ainda que a gente vai conseguir exportar”, disse Regina, explicando que só beachwear e jeanswear brasileiros exportam de verdade.
“Acho que a moda brasileira deveria apostar mais em básicos, em uma ótima qualidade e acabamento, e deixar as pessoas personalizarem esses básicos”, disse. “Porque a moda vai pra isso. Todos os caminhos já foram percorridos. Mais um babado, menos um babado, não vai mudar o futuro de ninguém.” (…)
Leia o artigo completo no Estadão.
A assessoria de imprensa da São Paulo Fashion Week confirmou hoje à Folha Online que a grife Zoomp não irá desfilar na próxima edição do evento, que acontece entre 17 a 23 de junho. A marca, do grupo I’M (Identidade Moda), se apresentaria à s 14h de 22 de junho, mas preferiu cancelar sua participação na edição verão 2009 da SPFW. No fim da tarde de hoje, a assessoria da Zoomp enviou um comunicado à imprensa explicando em detalhes os motivos que levaram a empresa a desistir da próxima edição da São Paulo Fashion Week.
A crise financeira da HLDC Participações, dos empresários Enzo Monzani e Conrado Will, agravou-se nas últimas semanas, tanto na área têxtil quanto na telefonia. O private equity Global Capital deverá fazer mais um aporte emergencial na Zoomp, uma das grifes controladas pela Identidade Moda (I’M) – holding criada por Monzani e Will. A capitalização deverá ser de aproximadamente R$ 15 milhões. O objetivo é saldar parte do passivo da companhia, que teria ultrapassado a marca de R$ 30 milhões. O Global Capital, um dos maiores credores da Zoomp, já injetou R$ 4 milhões na empresa no mês passado. Também assumiu a gestão companhia até 2010. Talvez nem chegue até lá. Por pressão dos credores, o fundo estaria reestruturando a Zoomp com o objetivo de encontrar um novo controlador e afastar Monzani e Will da operação. Há ainda negociações para que o Global Capital passe a administrar as marcas Fause Haten e Clube Chocolate, também pertencentes à I’M. Continue
O estilista Alexandre Herchcovitch informou nesta quarta-feira que não vai mais transferir suas marcas ao grupo I’M (Identidade Moda), como havia anunciado que faria em dezembro de 2007. Com o fracasso do negócio, Herchcovitch se desligou do cargo de curador do grupo I’M e de diretor de criação da Zoomp. De acordo com o comunicado de Herchcovitch, “as negociações não chegaram a um bom termo”. Continue
O estilista Alexandre Herchcovitch está prestes a retomar o controle de suas grifes, cuja venda ao grupo I’M (Identidade Moda) ele anunciou em dezembro do ano passado.
Na verdade, a venda das marcas Herchcovitch; Alexandre e Herchcovitch; Jeans não teria sido concretizada na época. A assinatura do estilista no contrato dependeria de um pagamento a ser feito pelo grupo que não ocorreu até agora.
Não só não ocorreu o pagamento, como a produção da coleção do inverno 2008 de Herchcovitch não teria sido iniciada. Normalmente, a coleção deveria estar pronta neste mês, para ser comercializada.
Herchcovitch é também diretor de criação da Zoomp e assumiu em janeiro o cargo de curador criativo das demais grifes da I’M, que faz parte da holding HLDC Investimentos.
Em julho do ano passado, a HLDC adquiriu a Zoomp e a Zapping, acumuladas de dÃvidas, sobretudo trabalhistas, que até o momento não foram quitadas integralmente.
Em dezembro, a holding anunciou a compra das marcas Herchcovitch; Alexandre e Herchcovitch; Jeans, Fause Haten e Cúmplice.
Em março, a Cúmplice negou ter completado o negócio com a HLDC. Fause Haten teria sido o único que de fato assinou o contrato de venda de sua grife, mas também estaria tendo problemas no cumprimento do contrato.
Fonte: Folha de São Paulo
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A criação da empresa I”M, reunindo várias grifes famosas, foi saudada como a grande novidade no mundo da moda nos últimos anos. Liderada por investidores financeiros, a I”M reuniu nomes de peso, como Zoomp, Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Clube Chocolate e Cúmplice. Foi descrita em várias reportagens como o inÃcio da profissionalização de uma atividade quase amadora, em que os estilistas estão mais preocupados com a criação do que em fechar as contas no fim do mês.
O que começa a aparecer agora, porém, é que, por trás do glamour e do poder financeiro de uma holding da moda, está um grupo empresarial com pouco capital, cercado de problemas e dÃvidas. Além de pendências com fornecedores e ex-funcionários, a I”M enfrenta questionamentos até sobre as empresas que teria comprado.
Uma delas, a Cúmplice, nega ter sido vendida para a I”M. O negócio foi anunciado em janeiro, antes da São Paulo Fashion Week, época que a holding de moda escolheu para apresentar seu portfólio de marcas ao mercado. “Nunca chegamos a assinar uma carta de intenções. É uma situação surreal e inverossÃmil, além de bastante irresponsável”, diz Paulo Junqueira, criador da Cúmplice.
Junqueira se nega a falar sobre as negociações com a I”M. Pessoas ligadas à s empresas, porém, contam que a I”M ofereceu R$ 6 milhões pela grife. Junqueira pediu fianças reais, mas as garantias não foram apresentadas. As conversas emperraram. Junqueira exigiu então o pagamento à vista. Os donos da I”M, Enzo Monzani e Conrado Will, não apareceram para fechar o negócio. Mesmo assim, o anúncio da compra foi feito, junto com o das outras grifes.
Estigmatizada como um setor que vive de muito glamour e pouco dinheiro, a moda brasileira atravessa uma onda de consolidação sem precedentes. Foram 13 grandes negócios nos últimos 18 meses.(…). Em menos de um mês, marcas como Alexandre Herchcovitch, Isabela Capeto, Fause Haten e Ellus foram compradas. Foi o auge de um movimento que começou em julho de 2006, quando a firma de investimento HLDC comprou a Zoomp. Desde então, 13 negócios foram fechados, e o dinheiro movimentado superou os 300 milhões de reais. (…)
Os dois compradores com mais apetite têm sido o grupo HLDC e o fundo de private equity Pactual Capital Partners, que administra o dinheiro dos ex-sócios do banco de investimento carioca Pactual, vendido ao suÃço UBS em 2006. A lógica de ambos é a mesma — enquanto os executivos dos fundos tocam o negócio, os estilistas das marcas compradas cuidam exclusivamente das coleções. Os dois pretendem criar holdings que administrem diversas marcas em diferentes nichos de mercado. (…)
Exceção feita à s modelos nacionais, a moda brasileira tem sido uma decepção do ponto de vista dos negócios. A falta de capacidade gerencial, a enorme informalidade do setor (basta pensar na última nota fiscal que o leitor recebeu numa loja de grife) e a concorrência com produtos falsificados são as principais explicações para os seguidos casos de fracasso. A própria Zoomp, comprada recentemente, esteve à beira da falência e custou muito pouco à HLDC, que herdou a enorme dÃvida da companhia. Os passos mais ambiciosos de estilistas nacionais foram seguidos por quedas estrondosas. Em 1999, o estilista Ocimar Versolato fechou os showrooms de sua grife no exterior por absoluta falta de recursos. Pelo mesmo motivo, Nelson Alvarenga, dono da Ellus, desistiu do sonho de lançar sua coleção fora do paÃs. Em momentos de euforia, como o atual, é normal imaginar que tudo será diferente — mas chegou mesmo a hora em que a moda brasileira se tornará um negócio lucrativo?
Leia a excelente análise da revista Exame – Agora vai dar lucro?.
A moda brasileira vive um momento histórico. Investidores começaram a adquirir no final do ano passado algumas das principais grifes do paÃs, a fim de formarem grupos de gestão de marcas, nos moldes dos que existem na Europa e nos EUA.
Com isso, empresas de moda que muitas vezes eram negócios quase familiares passaram para as mãos de gestores profissionais, com objetivos capitalistas ambiciosos.
A temporada do inverno-2008 da São Paulo Fashion Week, que começa hoje e vai até a próxima segunda, acontece sob o impacto do novo poder desses grupos recém-surgidos e de suas aquisições bombásticas –como a da holding I’M Identidade Moda, que comprou a Zoomp e arrematou neste mês as grifes Herchcovitch; Alexandre e Fause Haten.
Para discutir a situação atual da moda no paÃs, a Folha convidou dois dos principais estilistas do paÃs, Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer. O primeiro, após vender a sua marca, agora exerce três funções na I’M: diretor de criação da Herchcovitch; Alexandre e da Zoomp e curador geral das demais marcas da holding.
Sommer é dono da marca Do Estilista e atua como diretor de criação da Cavalera. Em 2004, ele vendeu a grife Sommer para o grupo catarinense AMC Têxtil, passou a atuar como diretor criativo da marca, mas, após uma série de mal-entendidos, saiu da empresa em 2006.
Hoje, ele está impedido de usar o nome Sommer em seus produtos. “Foi muito ruim que tivesse ocorrido esse problema, mas, por outro lado, foi bom para o aprendizado geral do que não se deve fazer com uma grife”, afirma Herchcovitch.
Leia o artigo completo e a entrevista na Folha Online.
Empresa investe na internacionalização da grife, que enfrenta acentuada concorrência interna. A exemplo da Zoomp, que há um ano foi vendida pelo estilista Renato Kherlakian para dois investidores, a tradicional grife de roupas femininas Le Lis Blanc também atraiu a atenção do mercado financeiro. A Artesia Gestão de Recursos – do administrador de empresas Márcio Camargo e do economista Marcelo Faria de Lima (os dois com passagem pelo Banco Garantia), que tem em seu portfólio de investimentos empresas do porte da Abyara Planejamento Imobiliário, Metalfrio e Neovia – injetou recursos na marca, segundo fontes próximas à negociação.


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